segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O lugar da Educação em tempos de paradoxos

“Menino você precisa estudar para ser alguém na vida!!!!” uma mãe diz ao filho. A educação é sempre vista com uma visão instrumentalista, a qual, o ser humano precisa estudar para conseguir um trabalho, entrar na faculdade, ou melhor, ter um status na sociedade.  A necessidade de se aprender a fazer e a conhecer, de uma maneira imposta e por um tempo determinado, fazendo com que o estudante não entenda qual a finalidade de tudo que vê na escola. A bagagem de conhecimento adquirido através do tempo fez vários assuntos serem descobertos que muitas vezes, com a ferramenta certa (o conhecimento) no profissional errado (o profissional desinteressado em ensinar), o conhecimento passa apenas a ser  “Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi” como Gabriel,o Pensador,  cita em sua música; e criou  profissionais muito específicos em sua área, perdendo-se o contato com as outras áreas profissionais e as relações sociais com as outras pessoas.  Resumindo, perdeu-se a multidisciplinaridade do sujeito, que vem sendo resgatada na atualidade, conforme o relatório da UNESCO abordou em 1996, no seu relatório, além de campus universitários como a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, que procura a abordar a multidisciplinaridade, independente do curso, priorizando não só o conhecimento formal (aprender a fazer e a conhecer), mas como também a aprender a conviver com o próximo e a aprender a ser, gerando bons profissionais.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Construção da identidade e a relação com o outro: sujeito psíquico e subjetividade, problematização do conceito na contemporaneidade.

O ser humano é composto de fatores que remetem a três idéias principais: a constância não existe, sujeito composto de uma “pluralidade de pessoas psíquicas” e no auto conhecimento (Enriquez, 2001). A primeira idéia, remete o ser humano a vários tipos de mudanças previsíveis  e imprevisíveis, ou seja, aquelas que ocorrem com o desejo pela mudança e outras que ocorrem até mesmo sem serem percebidas, isso através do tempo e relacionada ao ambiente social em que a pessoa está inserida. A segunda ideia está relacionada às diferentes atitudes das pessoas diante das situações cotidianas, logo entende-se que para conhecer  a verdadeira identidade do próximo, é necessário conhecê-lo em todos seus ambientes de convivência, além disso,  as ações do individuo reagem conforme sua ambição em determinado meio, assim é utilizado algumas características individuais para se alcançar o que deseja. A última ideia diz respeito a identidade do outro que reflete na  minha identidade vice-versa (Ciampa, 1989), a identidade pessoal não é formada apenas de máscaras, mas na construção de um “si” que evolui e é o ator da própria história.

Construção do sujeito: quem sou? Mudanças? Pluralidade? 
Dentro desse contexto, diante da construção do sujeito, deve-se ter em mente que  as mudanças são reguladas por um homem possui um coração e uma mente, o qual durante a construção de sua identidade, procura a “centralização em uma interioridade (que favorece a igualmente a exteriorização) está se tornando objeto de numerosas investidas por parte dos empresários, por um lado,e por parte dos fanáticos religiosos, por outro” (Enriquez,2001). Assim, a identidade é uma construção que  visa  evoluir com o tempo e durante esse percurso, cada pessoa tende a se apoiar em um determinado meio como a Igreja ou mesmo sendo aproveitada por outro, como as empresas,as quais criam sentido para o individuo se prender a ela, com os padrões estabelecidos. 


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Experiências de risco e a construção do sujeito.



Diante de tantos problemas enfrentados pelo sujeito na atualidade e todos com conexão ao passado, a curiosidade pelas atividades que envolvam novas experiências sempre se mantêm presente.
Na semana passada  foi discutido as atividades ordálicas e nessa semana falaremos sobre a influência das drogas. A princípio sempre relacionamos drogas apenas a drogas químicas, porém, todo sujeito possui uma determinada droga, caso isso seja desmentido, ele pode estar mentindo conscientemente ou inconscientemente. Afinal, droga não é apenas  aquilo que nos faz mal, não é aquilo apenas ligadas a química geradora da “brisa”, mas é tudo o que o ser humano se torna dependente, como pode acontecer do jogo, da política, da religião, da comida, do sexo entre tantas outras atividades cotidianas que podem intensificar a necessidade dessas.
A curiosidade intensificada pela influencia da mídia leva uma pessoa a usar determinadas drogas, conforme Otávio Frias Filho (2003) explica em seu livro a sensação de experimentar o Santo Daime. A principio, o autor vai Vila do Mapiá e lá pode conviver com os usuários considerados legais diante da lei. Além disso,  pode usar e compreender os motivos os quais o chá é utilizado pela seguidores de Daime que o utilizam para chegar além do estado do êxtase,  deslumbrar os segredos dos cosmos e a felicidade momentânea. Mafizzolini explica que sensações como essa (do uso da droga em geral),  pode ser um suporte para o passar do tempo e uma necessidade do ser humano, pois é com a droga que há a fuga dos problemas diários. Assim, entende-se que a droga serve como “válvula de escape” na vida rotineira de cada pessoa, concluindo que todos possuem uma determinada droga mesmo que essa não prejudique de forma evidente a saúde e ao próximo.  

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O lugar do risco na construção do sujeito contemporâneo

No centro de um processo histórico tumultuado, quando antigamente a noção de risco era entendida como uma vontade divina, entretanto, hoje passou a ser, de certa forma, controlada pelas pessoas. Assim, os jovens são os que mais representam essas atividades (ordálicas), isso não quer dizer, que eles possuem problemas psicológicos ou relação com alguma droga química.  A pressão familiar e da sociedade contra a falta de apoio e a má interpretação dessa parte da população, gera a procura pelo reconhecimento de si  mesmo e pelos outros, e se vendo diante do risco demonstram sua aptidão em superar desafios e expor  a coragem.
Isso pode ser apresentado em atividades como o surf ferroviário,quando os usuários utilizam a parte superior externa do trem em andamento para tentarem se equilibrar enquanto há movimento; rachas, competição com alta velocidade entre carros; prática de relação sexual sem camisinha. Essas podem ser consideradas práticas de alto risco de periculosidade, mas há também aquelas como esportes radicais, surf na corrente, que não são tão perigosas, porém apresentam algum risco, além da necessidade da coragem para a prática. Deve ater que nessa problemática, não há distinção entre as classes sociais econômicas, entre culturas e raças.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Contemporaneidade: tempo de paradoxos.

No mundo atual, vivemos nos baseando em comparações entre o passado e o futuro.  Não nos imaginamos mais sem a tecnologia que rege a vida de cada um e até determinado momento tudo parece perfeito, o que se difere quando o ser humano se depara com os problemas gerados pela construção  forçada do sujeito diante das alterações do ambiente.
Através de tudo aquilo que a modernidade nos oferece atualmente e com o  “avanço” rápido da sociedade, acaba sendo imposto certos costumes que passam a ter o isolamento do indivíduo como conseqüência  e conforme Birman (2006) posteriormente o masoquismo: “ o masoquismo seria a forma privilegiada de ser das subjetividades, que se protegem dessa maneira triste de um suposto malefício maior produzido pela modernidade, qual seja, o desamparo. Vale dizer, para se protegerem do horror do desamparo, as individualidades se valem do masoquismo como forma primordial de subjetivação”.Esse desamparo  tem como propriedade o vazio interior e a incerteza diante da vida.
Desta forma, é um equívoco dizer que a modernidade trouxe apenas fatores positivos, sendo que na atualidade características como desamparo, causando problemas como o masoquismo (entre outros),  é um grande problema do indivíduo e sua formação. O ato de se sentir seguro diante da tecnologia versus a procura pela segurança. Simplesmente o paradoxo da vida moderna.


Para melhor compreender, foi feita uma análise do sujeito em relação ao filme "Alice no país das maravilhas". Questões que tornam perceptível o quanto o desamparo está ligado ao indivíduo e suas escolhas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O que significa a expressão “eco” é “ego” em Birman?

Significa a transformação do ambiente no sujeito, quando o indivíduo na tentativa de se afastar dos problemas causados pelo ambiente, converte em suas próprias características. Assim o autor explica o deleite do masoquista que ocorre não somente como no senso comum por apenas prazer, mas como uma grande mudança causada pelas alterações nos costumes da sociedade. 

Quem é, no contexto da contemporaneidade, esse outro “auto-suficiente” que se vale no terror do sujeito?

O masoquista. Ele em uma tentativa de se desvincular do desamparo causado pela modernidade, se considera “auto-suficiente” como se o sofrimento do próximo o fizesse considerar superior, ou em uma maneira de se ignorar o desamparo, enquanto o outro, que sofre, prefere aceitar a situação por se sentir amparado, dessa forma ocorre um pacto contra a falta de apoio, atenção. Ademais, o “auto-suficiente” proporciona temas abordados como o que ocorre com nazismo; o individuo aproveita desse sentimento de auto-suficiência para “conquistar” outras pessoas. 

Quais as metáforas que podemos identificar a partir da leitura do texto de Birman e no trecho do filme “Alice no país das maravilhas”?

Podem-se identificar no filme, algumas situações em que o autor cita em seu texto, como o momento que Alice irá se casar, afinal ela não aceita o pedido de casamento para seguir seus pensamentos e se compara a uma senhora que foi submetida a aceitar a mesma situação, o que cai no conceito de servidão voluntária a qual o ser humano pode decidir sobre os fatores que o cerca, porém opta para o que lhe traga atenção e alguma maneira de amparo, lembrando-se que Alice não aceitou essa situação, mas a senhora que ela comparou, sim. Além disso, o casamento em si representa uma estratégia de poder, a qual a pressão exercida sobre Alice, tenta fazê-la aceitar a determinada situação, como por exemplo, todas as pessoas vendo o pedido de casamento, a posição que o noivo é sujeitado, o próprio jogo de palavras e como Birman apresentou em seu texto, “ O saber como discursividade e como jogos de fala, pela mediação da vontade dos homens, articula-se com as estratégias do poder,  de forma a se tecer as novas modalidades de servidão”. Uma cena interessante que representa o desamparo, é quando Alice esta caindo. Durante a queda não há em que se agarrar, a que se prender, da mesma forma que o desamparo age na pessoa e isso justamente pertence a um processo de identificação de Alice, pois conforme Birman citou Freud, para existir uma identidade é necessário passar processo de perda, passando pelo desamparo e toda a dor que cerca isso.
Decisão de Alice.
Após a queda, Alice cresce e diminui algumas vezes para que consiga entrar no país das maravilhas, mesmo sendo um filme, esta implícita a ideia de  que no centro da modernidade esta o sujeito. Não há nenhuma mudança no ambiente e sim na Alice, pois assim como no texto, o individuo é o centro. Para nós, assim representaram-se as metáfora.